Tertúlia Literária

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Um conto de Natal (Charles Dickens)

20 de dezembro de 2021 - 11h

(Via videoconferência)

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Cada livro tem o seu tempo, o seu momento.
Daniel Pennac 

Nunca volvemos ao mesmo livro, nem à mesma página, porque mudamos nós, muda o livro, nossas lembranças resplandecem nas diferentes etapas da nossa vida. Livro e leitor se convertem numa unidade. Somos o que lemos.
Alberto Manguel

A leitura, na sua mais nobre forme, constitui um luxo espiritual. Graças a ela conseguimos realizar o que palpitava dentro de nós como simples possibilidade
Ortega y Gasset

Ler é emocional. É necessidade. É prazer. É aprendizado.  Essa é a magia da nossa Tertúlia!
Participante de Tertúlia Literária

 

Nasceu como um grupo de leitura, mas bastaram algumas reuniões para entender que aquilo não era apenas um grupo, no sentido comumente aceito: pessoas que se unem com um objetivo comum definido, frequentemente comandado por alguém com experiência no ramo. O objetivo, esse talvez, sim era comum: ler; melhor dizendo, ler o mesmo livro. Mas o que lá acontecia não era nada que pudesse ser definido a priori. 

A criatividade se impôs desde o primeiro momento. Havia quem, tendo lido o livro, apontava aspectos que passaram desapercebidos aos outros que, surpresos, agradeciam essa nova luz. Outros tinham parado a leitura na metade: passei mal lendo o livro, não consegui acabar apesar de tentar três vezes, era muito forte para mim. Outros confessavam: “quando era jovem, tentei ler este livro e me assustei; agora tentei de novo, consegui, mas estou ainda assustada”. Teve também quem não leu o livro, mas não quis perder a reunião. Aquilo que lá acontecia era mais forte do que o próprio livro, às vezes o empurrão de que alguns precisavam para debruçar-se sobre ele. Em cada uma das reuniões, os participantes esperavam pelo aprendizado que vinha dos outros: “sempre tem alguém que vai encontrar encantos que me passaram desapercebidos”. Esse é o privilégio de poder compartilhar, com serenidade e respeito pela opinião alheia, o que vamos lendo aqui e acolá.  Houve também quem, com ocasião do livro sugerido, partiu para ler outro que estava, talvez, encostado na prateleira, esperando o momento certo. Porque -eis uma descoberta sabida, e agora comprovada na própria pele- cada livro tem o seu momento para estabelecer um diálogo com ele. 

Nossas reuniões, aquilo que ali acontecia, tinham vida própria. Algo que ultrapassava os tais objetivos comuns, ampliando-os. E com uma força de criatividade que nos levava a considerações riquíssimas, invocando filósofos, poetas, filmes, e novos livros. Um verdadeiro conhecimento construído, de um grupo de pensadores em ação. Sim, aquilo era uma verdadeira tertúlia, no sentido clássico que os intelectuais davam a essas reuniões. Assim nasceu a Tertúlia Literária: uma experiência fenomenológica de cultura compartilhada.