Tertúlia Literária


Uma experiência fenomenológica de cultura compartilhada


Ler é emocional. É necessidade. É prazer. É aprendizado.  Essa é a magia da nossa Tertúlia!

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Cada livro tem o seu tempo, o seu momento.
Daniel Pennac 

Nunca volvemos ao mesmo livro, nem à mesma página, porque mudamos nós, muda o livro, nossas lembranças resplandecem nas diferentes etapas da nossa vida. Livro e leitor se convertem numa unidade. Somos o que lemos.
Alberto Manguel

A leitura, na sua mais nobre forme, constitui um luxo espiritual. Graças a ela conseguimos realizar o que palpitava dentro de nós como simples possibilidade
Ortega y Gasset


Nasceu como um grupo de leitura, mas bastaram algumas reuniões para entender que aquilo não era apenas um grupo, no sentido comumente aceito: pessoas que se unem com um objetivo comum definido, frequentemente comandado por alguém com experiência no ramo. O objetivo, esse talvez, sim era comum: ler; melhor dizendo, ler o mesmo livro. Mas o que lá acontecia não era nada que pudesse ser definido a priori. 

A criatividade se impôs desde o primeiro momento. Havia quem, tendo lido o livro, apontava aspectos que passaram desapercebidos aos outros que, surpresos, agradeciam essa nova luz. Outros tinham parado a leitura na metade: passei mal lendo o livro, não consegui acabar apesar de tentar três vezes, era muito forte para mim. Outros confessavam: “quando era jovem, tentei ler este livro e me assustei; agora tentei de novo, consegui, mas estou ainda assustada”. Teve também quem não leu o livro, mas não quis perder a reunião. Aquilo que lá acontecia era mais forte do que o próprio livro, às vezes o empurrão de que alguns precisavam para debruçar-se sobre ele. Em cada uma das reuniões, os participantes esperavam pelo aprendizado que vinha dos outros: “sempre tem alguém que vai encontrar encantos que me passaram desapercebidos”. Esse é o privilégio de poder compartilhar, com serenidade e respeito pela opinião alheia, o que vamos lendo aqui e acolá.  Houve também quem, com ocasião do livro sugerido, partiu para ler outro que estava, talvez, encostado na prateleira, esperando o momento certo. Porque -eis uma descoberta sabida, e agora comprovada na própria pele- cada livro tem o seu momento para estabelecer um diálogo com ele. 

Nossas reuniões, aquilo que ali acontecia, tinham vida própria. Algo que ultrapassava os tais objetivos comuns, ampliando-os. E com uma força de criatividade que nos levava a considerações riquíssimas, invocando filósofos, poetas, filmes, e novos livros. Um verdadeiro conhecimento construído, de um grupo de pensadores em ação. Sim, aquilo era uma verdadeira tertúlia, no sentido clássico que os intelectuais davam a essas reuniões. Assim nasceu a Tertúlia Literária: uma experiência fenomenológica de cultura compartilhada.