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Construindo a motivação profissional na Medicina de hoje: reflexões humanísticas para lidar com a incerteza

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Artigo publicado em 07/2011. Local de publicação: Revista Brasileira de Medicina

Resumo

Nos últimos dez anos as publicações e apresentações em eventos médicos têm sido invadidas pelo tema do burnout (na tradução literal "queimar por completo"). Este termo, que está na moda e em inglês para maior destaque, não é mais do que o esgotamento físico e mental cuja causa esta intimamente ligada à vida profissional. A síndrome do burnout está relacionada com muito trabalho, pouco descanso, perda da percepção de autonomia e dúvida, culpa e exagero na percepção da responsabilidade e exaustão. Tal situação ocasiona uma ação profissional despersonalizada, uma falta de percepção de realização, desordens psiquiátricas e alto nível de depressão. Dados recentes apontam que 55% dos médicos se queixam que eles e suas famílias sofreram devido à sua escolha profissional. Menos que 44% dos homens e 26% das mulheres estão muito satisfeitos com suas profissões. Por que o tal termo burnout tem ganhado tanta repercussão? Será decorrência da globalização que enaltece a razão e o resultado financeiro? Seriam as regras da economia e da vida contemporânea que estabeleceram outros parâmetros? Mudou a Medicina, a perspectiva da sua prática ou foram os médicos os que mudaram? Seja qual for a resposta, o que não se pode negar é esta realidade que se projeta ameaçadora sobre a vida de muitos médicos. Aquilo que é base de conversas informais, de publicações ou apresentações em congressos não é mais do que o reflexo do que se vivencia, e até do nosso interior. No presente artigo, mediante uma reflexão escrita, tentaremos debruçarnos sobre os possíveis motivos e razões deste fenômeno, o que nos permitirá apontar alguns caminhos que oferecem soluções possíveis.