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Princípios da Medicina de Família: quatro pilares que definem sua identidade

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Artigo publicado em 12/2010. Local de publicação: O Mundo da Saúde

Resumo

A conceituação que McWhinney faz da Medicina de Família parte de uma perspectiva histórica que remonta aos finais do século XIX e início do XX. A reforma do ensino médico trouxe benefícios inegáveis de qualidade. E com eles vieram, como tributo necessário, algumas perdas. A fragmentação do saber médico acarretou a consequente fragmentação da relação médico–paciente. Existe um estreito relacionamento, na abordagem proposta pela Medicina de Família, entre a atuação junto ao paciente e junto ao aluno que está sendo formado. Temos assim as componentes básicas, tanto do corpo de conhecimentos teóricos e metodológicos, como da prática da Medicina de Família. Por um lado, Atenção Primária à saúde, o que implica conhecer o paciente individualmente, além da comunidade onde se estará inserido. Por outro, duas componentes que derivam do caráter reflexivo sempre presente na prática da Medicina de Família: a educação médica e a vertente humanista. O humanismo na Medicina de Família constitui auxílio que facilita a reflexão profissional. O perfil peculiar que esse tripé confere à Medicina de Família faz com que alguns pesquisadores apontem uma quarta característica: a formação de lideranças. O Médico de Família é um formador de lideranças, um criador de opinião, e sempre um interlocutor para o paciente e para o aluno. Os quatro pilares são ao mesmo tempo apoio e norte de ação, bases teóricas que garantem a identidade de valores e estratégias de atuação. A análise de cada um desses pilares merece atenção especial, para entendermos melhor o perfil desse profissional.