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Ambulatório didático de cuidados paliativos: relato de experiência

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Artigo publicado em 05/2010. Local de publicação: Revista Brasileira de Cuidados Paliativos

Resumo

O sofrimento e a morte são ocorrências naturais da vida humana com as quais todo médico se depara com freqüência em sua atividade prática. Paradoxalmente, dentro do modelo predominante de ensino e prática da Medicina não se dedica a devida atenção a tais temas.

Muitas vezes a morte é vista como uma derrota, um fenômeno que atrapalha o exercício e o êxito profissional. Não é incomum o médico não contar com a morte como uma possibilidade real a ser administrada. De acordo com essa visão, a morte é apenas uma circunstância infeliz que surge e impede a “brilhante” atuação médica. Temos observado alguns médicos dotados de grande conhecimento científico e capazes de utilizar alta tecnologia, mas que, explicita ou implicitamente, parecem abandonar os pacientes incuráveis, perante os quais os conhecimentos técnicos não funcionam. São médicos de “carros zero Km”, corredores de prova a quem, no entanto, falta fôlego para administrar situações prolongadas, incômodas, insolúveis do ponto de vista estritamente técnico.

Temos observado que a idéia de que não há nada a fazer para os pacientes terminais está de alguma forma arraigada em alguns médicos e estudantes de Medicina. No entanto, acreditamos que a experiência clínica com tais pacientes é essencial em educação médica uma vez que tais situações são inevitáveis na prática diária.