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Era uma vez... Narrativas em Medicina

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Artigo publicado em 05/2010. Local de publicação: Revista Brasileira de Cuidados Paliativos

Resumo

Alguns antropólogos consideram os seres humanos como contadores de histórias, pois o ato de contálas está fortemente arraigado ao seu âmago. A imagem de nossos ancestrais reunidos ao redor das fogueiras para contar e ouvir histórias é de alguma forma familiar a todos nós e evoca profundas memórias. Dessa forma foram criadas metáforas para explicar o que era incompreensível e misterioso. A identidade dos povos têm sido construída através de histórias transmitidas de geração à geração. Estas mantêm viva a memória dos seres humanos e atribuem sentido e significado a cada ato ou ocorrência da vida.

Para Higino Marin Pedreño, a definição de ser humano é: bípede com mãos que conta histórias. O autor afirma: “Na vida – como nos contos ‘As Mil e Uma Noites’ – para se seguir vivo cada dia, se há de saldar com um conto”. As histórias permitem que o caos se transforme em ordem e através delas os indivíduos, além de recordar, podem reescrever suas vidas, atribuindo-lhes significado. (1) A literatura, o teatro e o cinema nada mais são do que um aprimoramento da arte de contar histórias. Ao longo dos séculos, as funções das histórias têm se ampliado e estas, atualmente, ocupam espaços essenciais e bem definidos em diferentes setores da sociedade.